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Aspas, apóstrofos e plicas

Aspas, apóstrofos e plicas: os sinais mais confundidos

Talvez por conveniência e poupança na produção de caracteres, as aspas foram construídas pela junção de duas vírgulas rodadas 180 graus. Começaram por ser usadas nas margens, gradualmente foram integradas no texto, na zona da citação. Uma das primeiras notações de um texto com aspas encontra-se no Defense of the King’s assertion against the babylonian captivity de John Fisher data de 1525.

Entre 1530 e 1540, pelas mãos do famoso Garamont, surgiram umas aspas híbridas, uma mistura entre vírgulas invertidas com um sinal em forma de parênteses, posicionado no alinhamento com as letras. Essas aspas passaram a ser preferência de alguns tipógrafos, nomeadamente o mestre francês Guillaume (Le Bé), que lhe deu tal uso, que este modelo de aspas absorveu o seu nome (guillemets), também conhecidas como aspas em linha (« »). Com a expressão da cultura francófona na Europa, vários países adoptaram o modelo, entre eles Portugal, com o uso para o lado de fora da citação («citação»), enquanto noutros locais usavam a apontar para a citação (»citação«).

Ao longo dos tempos foram adicionados vários sinais com propósitos específicos, conhecidos e usados pelos tipógrafos nas composições. Porém, as limitações das máquinas de escrever forçaram à obliteração de boa parte deles e criaram outros, com serventias múltiplas, destinados a ser usados como aspas/apóstrofos/plicas. Com a transição para os teclados actuais, alguns desses sinais foram omitidos das teclas, não obstante existirem na fonte. O desconhecimento da sua existência, bem como a aplicação correcta associada à arbitrariedade de uso e influência de textos de várias origens, fazem com que os textos actuais acumulem diversos erros ortotipográficos.

Contudo, a regra de aplicação é bastante simples: aspas e apóstrofos deverão ser exclusivamente usados para textos. As plicas para quantificações e aplicações textuais pontuais.



Letras. História, Arte e Engenho

Aspas
O uso de aspas é tipograficamente pitoresco, pois há aplicações diversas, conforme o editor, prevalecendo ainda em Portugal as aspas em linha de origem francesa, mas em decadência para as aspas originais (também conhecidas como anglófonas). Há ainda situações mais bizarras, onde são usadas ambas as formas, conforme o texto e a posição em que se cita. O objectivo principal das aspas incluí as citações curtas (para textos extensos, geralmente usa-se o posicionamento para o assinala). Servem ainda para indicar nomes de artigos de jornal, títulos de livros ou qualquer outra designação de uma peça ou obra de qualquer entidade externa.

travessões


Apóstrofos
Os apóstrofos são usados escassamente no português e com atribuições muito objectivas: habitualmente como diacríticos1 nas elisões de letras de conjugações de palavras (p’ra, d’oiro, etc.).

versaletes


Plicas
As plicas são distintas das aspas, apóstrofos e dos sinais de acentuação graves e agudos e apresentam-se nas versões simples, duplas, triplas ou quádruplas2. A sua principal aplicação são as medidas científicas, matemáticas e estatísticas. A variedade de aplicações nesses campo são demasiado técnicas e específicas para aqui detalhar. No uso mais corrente, servem para indicar as unidades imperiais: pé e polegada (por exemplo, 5′ 14″), para designar os arco-minutos e arco-segundos de ângulos (por exemplo, 50º 11′ 15″) e para as unidades de tempo; minuto e segundos (por exemplo, 8′ 25″). Esta notação é aceite apesar de não estar de acordo com o Sistema Internacional de Unidades que indica que a forma correcta deverá ser “min” e “s”, respectivamente. As plicas são também usadas para grafias das transcrições fonéticas, conforme convencionado pelo Alfabeto Fonético Internacional, servindo para assinalar a sílaba tónica. Também são usadas nalgumas línguas e em notações musicais.


Resumo dos sinais

sinais matemáticos

sinais matemáticos

sinais matemáticos

Leia aqui sobre outros erros tipográficos!


Notas

1 sinais que mudam a oralidade do texto.
2 caso se aplique e se existirem na fonte.


Referências

https://media.aphelis.net/wp-content/uploads/2012/12/McMURTRIE_1933_Quotation_Mark_light.pdf
https://www.internationalphoneticassociation.org/


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