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Matte Painting para abertura da Paramount

Matte Painting, a arte invisível

Se há área artística onde a qualidade do trabalho é inversamente proporcional à sua percepção pública, é a arte da criação de ilusões cinematográficas, conhecida como “Matte Painting”. Nesta área, quanto mais natural e credível for a aparência do que vemos no filme, levando-nos a acreditar que é real ou natural, mais incógnito é o processo e o artista que o concebeu. A imagem deste artigo é a famosíssima montanha da Paramount, sobre a qual surgiam as estrelas animadas e o logotipo da companhia, e que servia de abertura para os filmes que produziam. Foi pintada em 1987, na celebração dos 75º Aniversário da empresa, por Dario Campanille, que posa ao lado do quadro com a sua pintura.

“Matte Painting” ou “Matte Art” foi um nome criado a partir do termo usado pelos realizadores — “Matte Shot”. Este nome foi criado pelo Realizador, Cameraman e inventor de efeitos especiais para cinema, Norman Dawn. A técnica foi desenvolvida nos anos 20 do século XX e consistia na criação de cenários realistas para usar nas filmagens. Inicialmente, consistia na pintura de um cenário de fundo, e outro, ou outros, pintados em vidro, que ficavam mais próximos da câmara de filmar. Caso houvesse uma filmagem com actores, estes desempenhavam os seus papéis entre o fundo e estes planos em vidro. Os planos de vidro ou a câmara de filmar podiam ainda ser deslocados, criando uma sensação tridimensional de profundidade.

Este era um meio simples e eficaz de criar em estúdio, paisagens impossíveis ou que logisticamente não eram passíveis de ser filmadas com o orçamento disponível para a produção do filme. No início, era tudo feito à mão, tudo pintado por exímios artistas, quer fosse sobre vidro, quer em gigantescos cenários de fundo. Estas pinturas eram realizadas tendo em consideração as condições de luz que seriam usadas na filmagem. Para tal, faziam-se testes de iluminação da cena a filmar, ou acertavam-se as luzes da pintura com as luzes das imagens previamente gravadas dos actores, em estúdio “Chroma”. Ou seja, com um pano verde, que era substituído posteriormente pelo fundo pintado. Estas técnicas eram elaboradas com minuciosas criações de complexas máscaras e efeitos sobre a película e com diversas exposições para combinar todos os elementos. Com a criação desta técnica, abriu-se um portal de oportunidades para elaborar e contar histórias fantásticas. Mundos novos e paisagens extraterrestres passaram a fazer parte do manancial de truques disponíveis para os realizadores. Podia elaborar uma lista infindável de exemplos, mas deixo um, absolutamente decisivo, onde o Matte Painting em conjunto com outras técnicas, teve um papel fundamental no sucesso da história: Star Wars. Veja aqui algumas das imagens de “Matte Painting” criadas para o efeito.

Com as possibilidades digitais mais recentes, começaram-se a usar cenários virtuais em 3D sincronizados com as câmaras. Estas filmam os actores sincronizadas com iluminação dinâmica, o que permitiu uma evolução sem precedentes nesta técnica. Tal possibilitou filmes como o Avatar, por exemplo. Ainda assim, para filmagens habituais, para grandes planos ou noutras situações pontuais, ainda há artistas que continuam a tradição da pintura de fabulosas cenas, ainda que em digital.


Recolha e exemplo de Matte Painting em vários filmes - 1

Recolha e exemplo de Matte Painting em vários filmes - 2

Recolha e exemplo de Matte Painting em filmes da Disney

Lista de artistas de Matte Painting

Dario Campanile — Pintura da Paramount feita no 75 Aniversário em 1987




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