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A verde rubra

Mestres-calígrafos

Antes da massificação dos computadores e sistemas de impressão modernos, havia uma série de artistas que se especializavam a desenhar e pintar todo o tipo de material que não era susceptível de ser impresso. Se recuarmos ainda mais no tempo, antes da revolução industrial e do mundo saber ou necessitar da publicidade, haviam artistas que aplicavam com mestria, as suas técnicas caligráficas na criação de diversos objectos de comunicação. Quer fosse sobre madeira, papel, metal, pedra ou outro meio de suporte. O seu virtuosismo era especialmente útil na criação de gravuras para imprimir em livros e noutras reproduções tais como notas de banco, selos, certificados de toda a espécie e todo um manancial de documentos. Estes mestres calígrafos dominavam as formas com um rigor capaz de deixar boquiaberto qualquer pessoa. Hoje, as impressoras, “plotters” e todo o equipamento informático permitiu a automatização da esmagadora maioria dessas necessidades gráficas, o que levou quase à extinção dos mestres-calígrafos.

Porém ainda resistem. São em número muito escasso os que se dedicam ainda a tais artes. É uma forma artística que necessita de um grau de especialização e de treino absolutamente insano. São milhares de horas a treinar a mente a relacionar-se com o corpo, para que da mão surjam, de forma aparentemente natural, linhas e conjuntos incríveis de todo o género de formas, desde o mais barroco até ao mais moderno. Apesar de escassos, há alguns artistas absolutamente fantásticos, que através das suas capacidades foram capazes de se estabelecer e criar um núcleo de fiéis clientes. Estes artistas olham com algum desdém os aspectos mecânicos e repetitivos das soluções digitais. Acreditam no trabalho calmo e meticuloso, na fisicalidade dos materiais, do saber, do treino, da mestria, da calma serena e absorta de longos períodos dedicados à criação.

Os filmes que escolhi para vos indicar, pretendem prestar homenagem e divulgar o trabalho de alguns destes artistas: desde os que usam essa capacidade manual para continuar a tradição caligráfica mais pura, até aos que a usam numa vertente mais prática com fins tipográficos, ou de forma aplicada em artes decorativas.


Master Penman Jake Weidmann

Jake Weidmann é o mais jovem e um dos escassos mestres calígrafos que anda subsistem. Apesar de ser ainda muito jovem, as suas capacidades de desenho são absolutamente fascinantes.




David A. Smith

Apresenta-se como “ Reverse glass artist”, ou seja, criador de decoração de vidros de montras, mas as suas capacidades de desenho já o levaram a realizar muitos outros projectos.




Seb Lester

Designer dedicado à criação tipográfica, com várias fontes no mercado. Tem vindo gradualmente a ficar fascinado com a caligrafia. Realizou alguns vídeos onde demonstrava como desenhar caligraficamente logotipos famosos, que se tornaram virais.




Doyald Young

Falecido em 2011, Doyald Young era um designer de logos e fontes. O seu método de criação estava intimamente ligado ao desenho, que lhe permitia “sentir” as formas. Achava que era o único caminho a seguir, e deixava a outros, geralmente a seus estudantes e discípulos a tarefa “mecânica” e “chata” de reconstruir tudo em digital.




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